Thrift flip: como a moda usada virou status entre os 20
Brechós online crescem 60% em um ano e mudam o que “estar na moda” significa.
Há três anos, comprar roupa usada era economia. Hoje, entre pessoas de 18 a 25 anos, virou status. Brechós online cresceram 60% em volume de vendas em um ano, segundo dados de duas plataformas consultadas.
Manuela Reis acompanhou seis perfis de revenda de usados no Instagram. O que vende não é a peça — é a história. Uma camiseta de show de 2003 vale mais que uma novinha de grife.
“A galera não quer parecer rica. Quer parecer interessante”, resume uma das revendedoras, de Curitiba, que fatura R$ 12 mil por mês só com brechó online.
O motor é duplo: preço baixo (peça usada custa 30% da nova) e sustentabilidade como discurso. Quem compra usado se sente do lado certo da história.
O efeito colateral: os brechós físicos tradicionais, de bairro, estão perdendo peças boas para os revendedores online. A escassez começa a pressionar o preço lá também.
Para a indústria da moda, o sinal é incômodo. Quatro marcas consultadas admitem estudar linhas “vintage” — tentando capturar um movimento que, por definição, rejeita o novo.