Música

O funk que saiu do morro e virou fenômeno de streaming global

Artistas periféricos batem recordes nas plataformas sem assinar com gravadora.

Há cinco anos, funk era gênero marginalizado no streaming. Hoje, três dos dez artistas mais tocados no Brasil fazem funk — e dois deles nunca assinaram com gravadora.

Bia Sampaio acompanhou a trajetória de uma cantora de Heliópolis que, em 2024, lançou um EP independente direto nas plataformas. Hoje tem 8 milhões de ouvintes mensais.

A virada veio de dois lugares. Primeiro, o algoritmo das plataformas passou a recomendar funk para ouvintes fora do eixo Rio–São Paulo. Segundo, o custo de produção caiu: um beat sai por R$ 300, a masterização por R$ 500.

“Não preciso de gravadora, preciso de celular e de galera que compartilhe”, resume a cantora, em vídeo enviado à reportagem.

O lado ruim: a remuneração por stream cobre pouco. Um milhão de plays rende, em média, R$ 3.500 — o que obriga os artistas a viver de shows, não de faixas.

Mesmo assim, o modelo independente força a indústria a se mexer. Duas gravadoras já criaram selos de funk com contratos mais curtos e sem exclusividade — algo impensável em 2020.

Bia Sampaio
Bia Sampaio

colunista de música. Escreve sobre a cena independente desde os 19 anos.

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